História de Aceguá

Aceguá é um município  do estado do Rio Grande do Sul, Brasil. Pertence à mesorregião do Sudoeste Rio-grandense e à microrregião da Campanha Meridional.

O Município de Aceguá é formado por diversas comunidades, onde se destacam a de Aceguá (sede) e da Colônia Nova. Distancia-se aproximadamente 60 quilômetros do Município de Bagé, ao Sul, fazendo fronteira com o Uruguai.




História

Seus primeiros habitantes foram índios dos campos do Rio Grande do Sul: Charruas, Guenoas e Minuanos. O primeiro relato histórico de nosso município, remonta ao ano de 1660, quando os Espanhóis vindos da banda Oriental, penetraram pela serrania de Aceguá, e fundaram a redução de Santo André do Guenoas em 1683. A notícia histórica que se tem a seguir sobre nosso município é de dezembro de 1753 quando os dois exércitos Portugueses e Espanhóis, saindo respectivamente de Rio Grande e da colônia de Sacramento iniciaram a marcha em direção a Santa Tecla. Segundo os diários de marcha o exército Português, chegou às cabeceiras do Rio Negro , hoje no Uruguai, onde já estava acampado o exército Espanhol.

Depois de uma solenidade militar (a primeira solenidade militar em terras de Aceguá), os primeiros tiros de canhão eram ouvidos naqueles céus. Os dois Generais conversaram até a noite, e devido às promoções de oficiais que ocorreram na solenidade, este local foi denominado “Campo das Mercês“, que nos dias atuais é o ponto de encontro dos três distritos do município de Aceguá (Colônia Nova, Minuano e Rio Negro). A origem do nome Aceguá no dialeto Tupi- Guarani significa “yace-guab” e possui diversos significados: um deles“Lugar de Descanso eterno“, indicando o local que os indígenas escolhiam para viver seus últimos dias, por ser um lugar alto que proporcionava alentadora visão panorâmica da região e proximidade com o céu (provável cemitério indígena);outro significado é “terra alta e fria”,características geográfica e climática do local; mais outra interpretação é “seios da lua” por ser local com cerros altos (Serra do Aceguá) Existe também no folclore popular da região, outra explicação para a origem do nome Aceguá, que por ser uma região de abundância de uma espécie de lobo pequeno, denominado “Guará ou Sorro“ que possui um uivo característico, e por ser há mais de dois séculos “El Camino de Los Quileros” (contrabandistas castelhanos e portugueses, que circulavam com mercadorias em lombo de cavalos, conforme as demandas de cada um dos mercados da banda Ocidental e Oriental da fronteira). Estes ao passar pelos cerros e ouvir o uivo dos “Sorros “ diziam, “Hay um bicho que hace guá”.

Portanto a formação da vila do Aceguá é resultante do comércio informal entre os dois países, pois a fronteira seca é um caminho natural entre países limítrofes. Sua etnia é diversificada composta por descendentes de portugueses, espanhóis, índios e negros que formaram “ o Gaúcho “ ou “ el Gáucho ” nos dois lados da fronteira. Posteriormente a região recebeu a colonização alemã, resultante nas comunidades rurais de Colônia Nova, Colônia Médice e Colônia Pioneira, com hábitos e tradições germânicas. Também recebeu a imigração Árabe com costumes e tradições próprias, que passaram a explorar e dinamizar o comércio local.

Aceguá no século XX, principalmente no período após a segunda Guerra Mundial com a carência de proteína vermelha e de agasalhos na Europa, passa por um período de grande desenvolvimento e fortalecimento da bovinocultura de corte e ovinocultura, produtos altamente expressivos até hoje no PIB do município. Seu comércio é resultado da diferença cambial entre Brasil e Uruguai sendo esta, na maioria das vezes, favorável ao Brasil, o que atrai os consumidores Uruguaios. Na área de Colonização Alemã até a década de 60, a principal atividade econômica era a cultura de trigo. Com fatores de falta de incentivo e concorrência do trigo Argentino desestimulando a produção, fez com que estes produtores se voltassem para a atividade de bovinocultura de leite, fortalecendo a Cooperativa Mista Aceguá Ltda (CAMAL) e tornando-se nos dias de hoje uma das mais importantes bacias leiteiras do Rio Grande do Sul, com produção de matrizes com alto padrão genético.

A partir da década de 70, houve uma migração de produtores de arroz da metade norte do estado, de origem Italiana e Alemã, que formaram parcerias agrícolas com os estancieiros iniciando um sistema de integração lavoura pecuária, com rotatividade de cultivo de arroz e semeaduras de pastagens (trevo, cornichão e azevém) para o engorde de bovinos, principalmente nos distritos de Rio Negro e Minuano. Também é importante salientar que no final da década de 70, iniciou o criatório de Cavalos Puro Sangue Inglês para carreiras em Aceguá, com a emigração dos mais famosos criatórios do Brasil, graças a nossas condições de clima subtropical tendendo a temperado, nossa topografia levemente ondulada, nossas estepes de solos argilosos, onde podemos cultivar pastagens artificiais de trevo, azevem e cornichão consorciados, habitat natural reunindo excepcionais condições de criar Potros fortes e com mais liberdade. Sendo com o passar dos anos nossa região, chamada nos meios do Turfe “a kentucky brasileira” frente aos campeões que se criaram na Pampa aceguaense. A área geográfica de Aceguá pertenceu em passado próximo ao Município de Bagé, tendo se emancipado em 16 de abril de 1996. Porém, sua estrutura administrativa tem marco inicial datado de 1 de janeiro de 2001. Aceguá Brasil e Aceguá Uruguai, estão localizadas na linha de fronteira, no meio do caminho entre Melo (Uruguai) e Bagé (Brasil), distando aproximadamente 60 km de cada uma, e ao longo de sua história tem sido um exemplo de união entre dois países.




Unidade federativa Rio Grande do Sul
Mesorregião Sudoeste Rio-grandense IBGE/2008
Microrregião Campanha Meridional IBGE/2008
Municípios limítrofes Norte: Bagé Sul: Acegua [República Oriental do Uruguai] Leste: Pedras Altas, Candiota e Hulha Negra Oeste: Bagé e República Oriental do Uruguai
Distância até a capital 440 km
Área 1.502,17 km²
População 4.347 hab. est. IBGE/2009
Densidade 2,7 hab./km²
Altitude m
Clima Temperado
Fuso horário UTC-3
PIB R$ 71.638 mil IBGE/2005
PIB per capita R$ 17.266,00 IBGE/2005

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